Eu me apaixono todos os dias
Mas é sempre a pessoa errada
E se às vezes penso eu, se tratar da pessoa certa
Ela esvanece do nada
Os poucos que não esvanecem
Fazem com que eu...Me veja equivocada
Pois toda a pessoa certa
Por outrem é apaixonada
Eu me apaixono todos os dias
Mas é sempre a pessoa errada
E se às vezes penso eu, se tratar da pessoa certa
Ela esvanece do nada
Os poucos que não esvanecem
Fazem com que eu...Me veja equivocada
Pois toda a pessoa certa
Por outrem é apaixonada
É nessa fresta,
Entre os dois universos,
Que na mente quieta
O poder submerso
Vem e casa com o ar,
Que ao adentrar o ser
Sai a perfumar
Do arbusto a morrer
Quando a chuva resolve molhar
Por minutos a fio.
Sem recorrer a ninguém,
Espalha as raízes
O mais fundo que pode,
Regido pela sorte,
Não crê nem na morte.
Tirou seus juízes
Da noção que implode,
Para expor sem cuidado
O seu emaranhado
Antes que o dia volte
E alguém se incomode.
Fagulhas iluminam-me o olhar
O rosto enrijece
O espaço espera
Não foi estrela nem foi foguete
Poderia ter sido.
- Não foi...
Éramos poucos,
Longa madrugada,
Mais passos ao lado,
Quem foi não chegou.
Eles olham nos olhos.
A árvore, o galho, acorda!
Fagulhas iluminam-me o olhar.
Um segundo,
Mais que um mundo.
Falta de ser,
Tudo no centro do nada.
Éramos poucos,
Longa madrugada.
Quem se acha no direito
De dizer o que é amor?
Amor é o que foi dito e feito.
As vezes proveito, as vezes dor.
Não tente explicar,
Não tente impor.
O amor não se pode traçar,
Muito menos limitar,
A conceitos tão fracos
Sendo assim tão complexo.
Amor é pessoal,
Não tem que ter nexo.
Quem se acha no direito
De dizer o que é amor
Ao menos o faça com jeito,
A parecer apenas expor
O seu modo de ver
Por nao poder conter
Tamanha gama de sentimentos,
Que no âmago vem morar
Fazendo de todo o resto,
Apenas rumor.
Não se pode explicar.
Não se pode impor.
(Clarice Lispector)
Vulnerabilidade não mata
O que mata é impedir a ação
De jorrar a verdade insensata
Angústia da mente e do coração.
O que quase mata é a espera
E esta morte não é solução
Aqui dentro a vontade impera
Mas sofre calada nas mãos da razão.
Que as vezes ainda sente demais
Jura que não vai tentar outra vez
Que as marcas e medos deixou para trás
Mas se vê reagindo ao que ainda nao fez.
Para tornar real o que nós não sabemos
Pois tambem sabemos fingir muito bem
Quando parece certo não entendemos
E as respostas estão sempre tão mais além.
Maldita, ó vulnerabilidade,
Desvio nos trilhos do pleno pensar
Cadeado nas portas da realidade
Abismo entre o querer ser e o estar.
Qual é a vantagem
Em impedir oportunidades?
Em encobrir a vontade
Onde está a vantagem?
Em não saber oque quer
O que foi já não é
Pretensão já não cabe
Ou orgulho sequer
É só tempo passando
Só cabeça pensando
Quando o coração escracha
A mente passa a borracha
Aperta mais o passo
E talvez fuja do abraço
Que acolhe e arrasta
Mais uma alma que se afasta
De sua triste máscara de aço
Forjada em algum fracasso.

No silêncio do olhar
Em palavras e cores
Vãs histórias escritas
Resultados de amores.
Que tardam a passar
Dentre o emaranhado
Sempre a regenerar
Do coração calejado.
Retraindo de dores
Ignora olhos falsos
Por espinhos e flores
Caminha a pés descalços.